http://espanadordepo.blogspot.com
Escrito por aspirador de pó às 16h18
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Mudança de Endereço
Então, a água da garrafa acabou. Comi o último biscoito do pacote. Chega de pedir a saideira, o dinheiro para a cerveja já se foi. Não mais consertar as goteiras do telhado. Os dentes da chave se quebraram, já não podem abrir a porta. Está na hora de empacotar as coisas e fechar a casa. Levo as fotografias, os vasos de plantas e o aquário. Memórias. Partir. Sem olhar para trás.
Escrito por aspirador de pó às 10h02
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Sede

Há muito tempo eu estava com a garrafa de água vazia na mão. Aquela garrafa era somente a coisa mais preciosa da minha vida. Quando a encontrei, vagando pelo deserto cansada e sem esperanças, imaginei que estava salva. Naquele momento, a garrafa estava cheia de água, límpida e fresca. Durante um tempo, essa água me manteve viva, fez o sangue das minhas veias circular, manteve a minha lucidez, equilibrou a temperatura do corpo. A segurança de possuir uma garrafa cheia de água foi uma sensação tão poderosa que durante muito tempo não me lembrei que essa água um dia ia acabar. Não me lembrei ou quis esquecer. Mas, a água acabou. Durante outro tempo, carreguei a garrafa vazia querendo acreditar que era ela que me mantinha viva. Até que admiti que não era a garrafa, mas a água que matava a sede. A gente tem que ir atrás da água que nos mantém vivos. Ela não nasce dentro da garrafa. A garrafa é só um objeto para armazenar a água por um tempo. O que mantém o sangue correndo nas veias, o coração batendo, o calor do corpo, tem que ser encontrado todos os dias. É o resultado de uma busca incessante que vai durar até o último dos dias. Não adianta ter uma garrafa, uma pessoa, um lugar. O que nos mantém vivos não pode ser armazenado.
Escrito por aspirador de pó às 20h42
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Uma história triste

Ano passado, resolvi comprar peixes novos para o aquário e o mocinho da loja me disse que, pelo tamanho do aquário, eu poderia ter até cinco peixinhos dourados. Achei que cinco era muito e comprei apenas dois. Em poucos dias, um deles morreu. Então, para o outro não ficar solitário, comprei outro. O novo morador do aquário morreu também, com a mesma rapidez do outro. Me senti mal de comprar um terceiro, afinal era como agendar a morte do bicho: uns poucos dias e ele morreria também. Comecei a pesquisar na internet e descobri que o mocinho da loja era uma pessoa má. Na verdade, um peixinho dourado vira um peixão em alguns anos e não poderia em hipótese nenhuma viver em um aquário com menos de 80 litros. Percebi horrorizada que o meu peixe estava vivendo em um aquário de apenas 15 litros. Além disso, os peixes dourados não podem viver sozinhos, são peixes de cardume. Desde então, convivo com a culpa de estar aprisionando meu peixe e obrigando-o a viver num ambiente minúsculo e completamente só. Não posso ter um aquário maior por falta de espaço e não posso comprar um companheiro para ele porque eles brigariam pelo território. O mais triste é que de uns meses pra cá, ele adoeceu.

Minha culpa aumenta a cada dia. Já pesquisei muito tentando descobrir a sua doença, mas não consegui descobrir mais nada. Teve dias que pensei em acabar com a sua agonia, mas não consigo tirá-lo do aquário e ver ele parar de respirar. Ele parou de comer e dou ração para ele com um hashi, levando a comida para o fundo do aquário, que é onde ele fica o tempo todo. Mas, hoje tive um momento de esperança: ele voltou a nadar... Deu uma piruetas e nadou até a superfície, pegou o ar e depois voltou para o fundo. Soltou uma bolha de ar. Agora fico pensando se tomei a decisão certa, acreditando que ele iria ficar bom de novo. É difícil tomar decisões, ainda mais decidir pela vida de alguém.
Escrito por aspirador de pó às 22h04
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Cia Borelli - III Mostra de Dança Contemporânea Unipar/ Umuarama
Escrito por aspirador de pó às 21h41
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I'm digging for fire
Escrito por aspirador de pó às 12h57
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Suavemente Forte

Quando pensei que a vida não iria mais me surpreender, percebi que isto estava longe de ser verdade. Eu mesma me surpreendi. Quando pensei que não iria agüentar, quando pensei que iria chorar e sofrer, percebi que cresci e me tornei forte. Sempre tentei ser um pessoa forte. Para isso, caminhei por tanto tempo pelos extremos da agressividade e da intolerância. Foi quando parei de tentar não sofrer que eu consegui encontrar um pouco de paz. Enfrentar os problemas, por mais que se tenha medo deles, gera menos sofrimento do que tentar fugir deles. Ou pior: tentar evitá-los. Minha mãe sempre diz que um bambu é mais forte que uma árvore de troncos grosso. O bambu é flexível, o vento passa por ele, envergando-o até o chão. Mas, ele não quebra. Passado o vento, ele volta a ficar de pé.
Escrito por aspirador de pó às 00h09
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Meu horóscopo está me dizendo que estou no inferno-astral. Ainda faltam uns vinte dias para o meu aniversário. Isso quer dizer, que tô no inferno por mais um tempo. Bem que podia vir um céu-astral logo depois do inferno, mas se bem me lembro da localização geográfica das coisas, antes do céu-astral deve vir o purgatório-astral. Ficar no purgatório é que é um saco. você não tá no inferno para poder sentir pena de si mesmo, arrependimento, ódio ou sofrimento. Também não tá no céu, curtindo uns anjinhos loiros de olhos azuis ou sentindo a leveza do branco das nuvens. Enfim, estar no purgatório é chato. Além de tudo, não existe um tempo determinado para estar no purgatório, você não sabe quanto tempo vai ter que esperar. É como estar no aeroporto em pleno apagão aéreo: você não sabe se vai ficar ali uma hora, duas horas, um dia inteiro, nem sabe se a moça do atendimento vai te dizer que o vôo vai ser cancelado e que você vai ter que embarcar só daqui uma semana. Ainda estou no inferno-astral, mas já estou pensando o que vou arrumar pra fazer quando eu entrar no purgatório-astral. Porque sei, por experiência de vida, que ainda falta um bocado para eu chegar no céu...
Escrito por aspirador de pó às 17h42
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Eu acredito em milagres.
Acredito que duas pessoas possam se amar sem esperar nada em troca.
Acredito que se possa querer bem.
Acredito que um homem e uma mulher possam querer mais um do outro do que sexo.
Acredito que um carinho possa fazer mais feliz quem dá do que quem recebe.
Acredito em amor que espera, em amor eterno e em amor incondicional
Acredito em amor à primeira-vista, em amor cego e em amor maior.
Acredito em alma-gêmea, acredito em destino.
Milagres acontecem.
Acontecem uma vez a cada século.
Mas, acontecem.
Escrito por aspirador de pó às 21h00
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Nem tudo é para sempre. Como uma roda-gigante, a vida sobe e desce, vai e volta. Poucas coisas permanecem no mesmo lugar eternamente. Até as rochas vão virando areia dia-a-dia com o vento e com a chuva. Um dia, elas também desaparecem, porque poucas coisas resistem ao tempo.
Escrito por aspirador de pó às 20h19
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noite sem lua...
não é eclipse lunar, não.
é falta de imaginação.
Escrito por aspirador de pó às 08h50
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esforço grande esforço.
cada gota de suor,
em vão desperdiçada,
se converte em dor.
da pedra não se tem
um mínimo leve tremor.
que fazer então,
se o céu já não tem cor?
Escrito por aspirador de pó às 08h49
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o sol está se pondo.
meu rosto dourado
que só é ouro na luz-tarde.
a luz que suaviza
vincos de dor e me
encobre em paz.
ouro, dourado e paz...
que mais se pode desejar na vida?
que dure mais?
o sol se põe em minutos.
a vida não é mais que isso.
Escrito por aspirador de pó às 08h48
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Foi num dia cinzento.
De vento.
Grão de areia
no rosto,
Lágrimas quentes
nos olhos.
Escrito por aspirador de pó às 08h46
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E toca o telefone.
Algo ou alguém.
Ligação com o mundo.
Interurbana ou
a cobrar, CVV Samaritanos.
Lá de fora,
Não é algo,
Não é alguém.
Mais um entre
muitos enganos.
Escrito por aspirador de pó às 08h45
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